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quarta-feira, 22 fevereiro, 2012 - 11:11

Preservar o meio ambiente sem prejudicar o ritmo do crescimento econômico brasileiro é a grande questão com a qual este governo tem que começar a se preocupar. De acordo com o professor Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo AQUA, o governo está agindo, mas ainda faltam políticas públicas que sirvam de referencial para o setor privado, como fazer um planejamento urbano e atender a construção civil focada na sustentabilidade.

Para Martins, a onda verde é um grande negócio. “Governo, empresários e população precisam ter essa percepção", analisa. Até o momento, apenas 50 empreendimentos no País possuem a certificação AQUA, atestando que tais construções são sustentáveis. "Em edifícios corporativos, a procura por comprar ou alugar o imóvel já visa à sustentabilidade, mas em prédios habitacionais esse ainda não é o foco", diz. "Não é que o Brasil está parado, é que grau de mobilização tem que ser maior", acrescenta o especialista.

No caso do governo, ele aponta que não adianta o empresário construir um prédio pensando na sustentabilidade, sem que a infraestrutura ao redor, como transporte coletivo, não atenda as formas de sustentabilidade.

O gerente da área de Sustentabilidade da KPMG no Brasil, Ricardo Zibas, afirma que crescer de forma a preservar o meio ambiente está na pauta do governo. "A grande dicotomia é atender ao aumento da demanda gerada pela ascensão da classe C, sem que recursos naturais sejam prejudicados".

Para Zibas, fazer parceria entre os setores privados e públicos é uma forma de atingir o objetivo de cuidar do meio ambiente e aumentar o PIB, sem que um prejudique o outro. "Não obrigar à indústria, por exemplo, a atuar sustentavelmente, se ela já sofre uma forte concorrência com importados. De qualquer forma, o governo vai ter que pensar como usar os recursos naturais, já que farão falta na economia brasileira".

Na semana passada, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, lançaram as linhas de crédito do Programa Fundo Clima. Os recursos do fundo são provenientes da parcela de até 60% da Participação Especial do Petróleo, recebida pelo Ministério do Meio Ambiente.

A verba está dividida em duas modalidades: reembolsável, que será operada pelo BNDES, e não reembolsável, sob gestão direta do ministério. Conforme o banco de fomento, a dotação orçamentária do fundo é de R$ 200 milhões. Desse valor, R$ 100 milhões são destinados ao subprograma Resíduos com Aproveitamento Energético e os demais R$ 100 milhões distribuídos entre os outros subprogramas de acordo com a demanda de projetos, estando assegurado um orçamento mínimo de R$ 20 milhões para o subprograma Máquinas e Equipamentos Eficientes. (com informações de DCI Online)

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