domingo, 11 dezembro, 2011 - 11:10
Por Redação BNI
O aumento no número de profissionais liberais e pequenos empreendedores que transformam o apartamento onde vivem em escritório vem alterando a rotina de muitos condomínios brasileiros. O chamado home office tem feito surgir questionamentos sobre os limites e a pertinência de atividades comerciais em prédios residenciais.
"Os problemas mais comuns dos condomínios sempre foram cachorro, garagem e barulho. Agora, a essa lista incorporamos o home office", diz o advogado Márcio Rachkorsky, consultor jurídico de mais de 400 condomínios em São Paulo. Para ele, os hábitos mudaram. “E os prédios terão de aprender a lidar com a nova realidade".
Geralmente quem trabalha em casa não anuncia isso pelos corredores do prédio. Mas os vizinhos percebem, principalmente se o movimento no apartamento é maior do que em outras unidades. Alguns recebem clientes, outros mercadorias num volume maior. "As reclamações surgem porque são moradores que usam mais determinados serviços, como o porteiro e os mensageiros, e pagam a taxa administrativa padrão", diz Rachkorsky.
Angélica Arbex, gerente da Lello Condomínios, empresa que administra 1.200 prédios, acredita que o maior problema do home office não é o entra e sai de pessoas no apartamento. "Quando o profissional começa a receber clientes em casa, o que entra em jogo é a segurança do prédio. Nem o morador em questão tem como garantir quem está entrando".
Segundo pesquisa feita pelo sociólogo Roberto Gonzalez, da Universidade de Brasília (UnB), quatro em cada dez trabalhadores com carteira assinada perdem o emprego todos os anos. E metade dos empregos dura menos de dois anos.
E o setor imobiliário já assimilou a tendência. Além da churrasqueira, do espaço gourmet, da academia e do espaço para animais, os novos empreendimentos costumam ser projetados com escritórios na área comum dos edifícios. São locais equipados com mesas, wireless e sofás - que podem ser alugados pelos moradores para eventuais reuniões de trabalho.
"Prédios antigos também estão discutindo a transformação de parte da área comum em escritório", diz Angélica. Para ela, o escritório comunitário, nos dias de hoje, valorizam o empreendimento.
Conheça as normas do condomínio e evite causar desconforto aos vizinhos
Alguns cuidados devem ser tomados quando um morador começa a trabalhar no apartamento onde mora. O primeiro passo é conhecer bem o regulamento interno do condomínio para não causar desconforto aos vizinhos nem passar por constrangimentos.
Em geral, é permitido trabalhar usando computador e telefone, ou exercer atividades que não aumentem o fluxo de pessoas no prédio. "Hoje é muito comum moradores fazerem comida em casa para vender. Quando o gás não é individualizado e cobrado diretamente no condomínio, isso pode causar problemas", diz Angélica Arbex, gerente da Lello Condomínios. O mesmo vale para o consumo de água. "A atividade em questão não pode gerar custos a mais para os vizinhos".
As convenções também costumam proibir qualquer tipo de propaganda ou anúncio da atividade com o endereço do prédio. "É preciso tomar muito cuidado para não desvirtuar o uso original do imóvel", explica o consultor jurídico Márcio Rachkorsky.
Foi exatamente isso que aconteceu em um tranquilo prédio da Granja Julieta, na zona sul. "Um dos moradores abriu no apartamento um verdadeiro escritório, que tinha até secretária", conta a síndica Suely Rodrigues, de 57 anos.
O esquema foi descoberto porque os funcionários dessa unidade começaram a ter problemas na portaria. Todos os dias, quando chegavam para trabalhar, recusavam-se a usar o crachá de visitante do prédio. E isso causava discussão com os porteiros, que levaram o caso à síndica, que foi averiguar.
"Ele tinha até office boy que ficava aguardando no térreo do prédio. Notificamos por carta a irregularidade e ele teve de desmontar a estrutura rapidamente. Ele sabia que estava errado". (com informações de O Estado de S. Paulo)