BN Imóveis
Orkut Facebook Twitter

quinta-feira, 17 novembro, 2011 - 12:45

O engenheiro civil Carlos Alberto Vieira Lima foi reeleito presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA) por mais um biênio (2012/2013). Empresário, dono da construtora MVL, Vieira Lima, em entrevista ao BNI, revela as prioridades do novo mandato.

A construção da nova sede da entidade dentro dos preceitos da sustentabilidade é uma delas. A ideia é dar exemplo ao setor para uma exigência dos novos tempos. O atraso tecnológico da indústria da construção no estado será enfrentado com o fomento à inovação das práticas e processos construtivos. A segurança e a saúde do trabalhador da construção também terão atenção especial neste novo mandato de Vieira Lima.

O líder empresarial pretende ainda colocar a produtividade como questão central nas negociações salariais com os trabalhadores. O baixo rendimento laboral tem encarecido as obras e afetado a rentabilidade das construtoras, que enfrentam dificuldades num momento em que o mercado baiano se retrai e acumula um estoque de 18 mil imóveis em construção e prontos, o maior da história.

BN Imóveis: Neste novo mandato, quais são as suas prioridades?

Carlos Alberto Vieira Lima: São três as prioridades que nós temos no mandato. A primeira é a construção da nossa sede, que está com o projeto todo pronto e será dado início, em 2012, com previsão de um ano ou um ano e dois meses para a conclusão. A nova sede se baseará nos conceitos de sustentabilidade. Vai ser um marco dentro da engenharia aqui no estado.

BNI: E a segunda prioridade?

CAVL: A segunda é fomentar a inovação tecnológica. Nós precisamos preparar as empresas. Precisamos investir em inovações tecnológicas para que as construtoras saiam dessa forma de produção artesanal. Precisamos mecanizar, precisamos de novos processos, de novos materiais. Tudo isso para melhorar a condição porque você não pode melhorar a produtividade se não tiver a inovação. Não há tempo para investir e formar esse pessoal na velocidade que necessitamos. E o mundo todo não está mais trabalhando do jeito que nós estamos.

BNI: Então, qual é a terceira?

CAVL: A terceira prioridade é investir na promoção da saúde e da segurança do trabalho. Precisamos melhorar esse quadro. Estamos fazendo uma linha de fomento para as empresas. Estamos massificando um processo para a mudança de cultura. É necessário modificar a cultura, você precisa que os empresários, os engenheiros e os trabalhadores priorizem esse problema, que tem que ser previsto desde o projeto arquitetônico e seu cálculo estrutural numa linha de planejamento.

BNI: O setor da construção é muito arriscado em termos de trabalho. Houve um aumento de acidentes fatais em 2011.

CAVL: É uma atividade de risco. É uma atividade em que o risco está intrínseco. O setor da construção, os empresários, tem uma dívida no sentido de dar prioridade a essa questão da promoção e da prevenção da melhoria da qualidade de vida no trabalho. Isso, por uma questão de sobrevivência e por uma questão de produtividade. Um acidente de trabalho, além dos prejuízos, ele acarreta baixo índice de produtividade num canteiro de obras. Não é só uma questão social. É uma verdade econômica. Então, nós precisamos trabalhar muito nessa questão.

BNI: Quais são os projetos?

CAVL: Temos um programa de prevenção de saúde e segurança para as empresas com custo subsidiado em até 90%.

BNI: Como funciona?

CAVL: Através de campanhas, palestras, processo de conscientização profissional, de uso dos equipamentos individuais, identificação de área de risco.

BNI: O boom imobiliário veio acompanhado do apagão da mão de obra. A falta de qualificação dos trabalhadores causa baixa produtividade, queda de rentabilidade das empresas. Como equacionar o problema?

CAVL: Saímos de um universo de 60 mil trabalhadores contratados pelo setor, na Bahia, em 2006, para 130 mil. Mais do que dobramos a necessidade de mão de obra. Não houve tempo para promover a capacitação profissional nessa intensidade.

BNI: A baixa produtividade resulta em atraso na entrega dos imóveis. Dá para ‘trocar o pneu com o carro andando’?

CAVL: Não é mais possível construir da forma tradicional. É necessário investir em novos processos construtivos para a melhoria da produtividade. A maioria dos nossos empreendimentos imobiliários está atrasada, em seis meses. Quanto maior o empreendimento, maior o risco de atraso. Você tem uma mão de obra com uma produtividade baixíssima. Você está trabalhando com gente com semi-qualificação.

BNI: Apesar da baixa produtividade, os custos com mão de obra aumentaram, acarretando ainda mais perda de rentabilidade nas empresas. O senhor assume um novo mandato e tem a missão de enfrentar nova rodada de negociação salarial com os trabalhadores em janeiro. Qual será a estratégia?

CAVL: Vamos sentar à mesa em um momento de dificuldades.

BNI: No ano passado, o entendimento foi difícil e a greve dos trabalhadores foi longa.

CAVL: A greve foi prejudicial, inclusive, para os trabalhadores, que perderam 35 dias. Eles tiveram que pagar os 35 dias. Aos empresários foi prejudicial porque há todo um custo fixo de equipamentos, juros, empréstimos e toda uma lista de despesas indiretas. Então, o prejuízo foi muito grande. Mas, sem dúvida nenhuma, todos saíram perdendo.

BNI: Qual é a sua expectativa agora?

CAVL: Eu vejo as empresas em dificuldade, com perda de rentabilidade em seus empreendimentos. Elas não estão com fôlego para apostar em recuperação salarial. Se os trabalhadores vierem com muito anseio de grandes reajustes salariais, vamos ter dificuldades na negociação. O momento é difícil. Não é o momento de falar em recuperação salarial.

BNI: Qual é a proposta, então?

CAVL: Estamos tentando discutir com os sindicatos dos trabalhadores a necessidade de agregar à remuneração um fator de produtividade. O trabalhador tem que ganhar por produtividade.

BNI: Há progresso nesta discussão?

CAVL: Tudo o que é novo é difícil. Mas, nessa campanha, vamos discutir essa questão. Remuneração por produtividade. Queremos até estabelecer um plano de carreira na construção civil.

BNI: Quando assumiu, em 2010, a presidência do Sinduscon-BA, o senhor se deparou com uma recuperação do mercado, depois daquele abalo sofrido pela crise financeira mundial. Agora, o senhor é reeleito. E o mercado está começando a dar uma desacelerada, com queda do nível de atividade na construção e, no mercado imobiliário baiano, um estoque recorde de 18 mil imóveis em construção e prontos.

CAVL: O que aconteceu, de fato, é o seguinte: houve um processo de realinhamento do mercado. No momento, realmente houve uma freada. Mas, tudo isso é em função da base que você tem. Se você tinha uma venda de 1.500 ao ano ou 2.000 imóveis, você tem um estoque em função do seu volume de vendas. Então, qual foi o volume de vendas no ano passado? Foi de 14 mil. Então, você tem um estoque de um ano e pouco, entre produtos lançados e entregues.

BNI:Mas 18 mil imóveis em estoque não é um volume alto?

CAVL:Houve uma oferta e uma paralisação. A tendência, em médio prazo, é diminuírem os lançamentos para que seja feito o ajuste no decorrer de 2012.

BNI: Então, para o senhor, o estoque se regulariza no ano que vem?

CAVL: O ajuste será em 2012. Os orçamentos já foram bem menores esse ano, porque o mercado foi inteligente. As empresas não são suicidas. Mas, de qualquer forma, a parada foi maior do que a expectativa nossa.

BNI: Na avaliação do senhor, quando houve o breque nas vendas que causou esse estoque?

CAVL: Essa parada foi desde o fim do primeiro semestre. O primeiro semestre foi razoável. A partir do final do primeiro semestre é que as vendas pararam. Outubro foi o mês mais crítico em vendas.

BNI: Como está o mercado agora?

CAVL: Está começando a ter uma procura a mais, principalmente pelos imóveis que já estão com o prazo de entrega mais próximo. E outros que já estão na iminência de serem entregues.

BNI: A retração nas vendas teria sido decorrente do aumento dos preços dos imóveis?

CAVL: Não. Eu não acredito que a questão do preço tenha sido o fator motivador. É a insegurança. É o pessoal com medo de perder emprego. É a crise. Agora, apesar de o mercado não está mais crescendo no mesmo ritmo, no setor da construção, o nível de empregos está aumentando. Hoje há mais de 193 mil pessoas empregadas. Não há redução de estoque de trabalhadores.

BNI: E a lucratividade das empresas do setor?

CAVL: A lucratividade está caindo e, em alguns aspectos, por causa da baixa produtividade. Você não pode transferir tudo ao preço, porque o cliente não aceita. E aí se perde a lucratividade.

Histórico de Conteúdo

Mai / 2012

Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
29
30
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
1
2