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quarta-feira, 16 maio, 2012 - 12:22

O setor de construção civil vem passando por um período negativo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Das 22 empresas de construção de capital aberto, dez viram seu valor de mercado cair no primeiro trimestre. Juntas, essas dez companhias encolheram, este ano, mais de R$ 3,2 bilhões, segundo levantamento feito pela consultoria Economática.

Só a PDG Realty, maior incorporadora do país, e que está entre as cinco ações com maior peso no índice da Bovespa (Ibovespa), ao lado de Vale, Petrobras, OGX Petróleo e Itaú Unibanco, já se desvalorizou R$ 2,4 bilhões este ano. O valor das ações da PDG, que era de R$ 6,6 bilhões em 31 de dezembro de 2011, fechou ontem a R$ 4,1 bilhões. A empresa informou que seu lucro líquido no primeiro trimestre ficou em R$ 32,5 milhões, ante uma previsão média do mercado de R$ 140 milhões, 86% menor que o resultado do mesmo período do ano passado. As ações da empresa fecharam o dia com queda de 9,58%, a R$ 3,68.

Na segunda-feira, o mercado se surpreendeu com o balanço trimestral da Brookfield Incorporações. A companhia teve lucro líquido de R$ 4 milhões, 94% abaixo dos R$ 65,8 milhões do mesmo período de 2011. Os papéis da Brookfield chegaram a cair 10%, fechando ontem com perda de 6,22%, a R$ 3,93.

As ações da MRV, que tinham valorização de mais de 9% este ano, caíram ontem 14,77%, para R$ 10,53, após a empresa anunciar um resultado do primeiro trimestre de 2012 abaixo do previsto. A empresa teve um lucro líquido 23,9% menor do que no mesmo período do ano passado, totalizando R$ 116 milhões. (com informações de O Globo)

quarta-feira, 16 maio, 2012 - 12:13

De acordo com o instituto de pesquisa Empirica, os preços dos aluguéis em Berlim aumentaram 36%, entre os anos de 2008 e 2011. Trata-se do melhor desempenho de locação, se comparado com qualquer outra metrópole mundial.

Como resultado, os compradores investem em áreas da capital da Alemanha, que não estão situadas no centro da cidade. Em regiões próximas ao novo aeroporto internacional de Berlim, os empreendimentos imobiliários obtêm lucros extraordinários. O boom é tal, que o número de edifícios residenciais e comerciais negociados no bairro de Treptow aumentou 80%, em 2011.

Ao mesmo tempo, o setor das propriedades de Berlim está se beneficiando com o interesse dos estrangeiros, e até mesmo os grandes investidores globais já descobriram o potencial da cidade. Consequentemente, em 2011, a receita proveniente da venda de condomínios aumentou 19%.

A razão para a expansão do mercado é o receio generalizado frente à crise do euro e a inflação que ronda as economias européias. Além disso, os aluguéis estão subindo pelo desequilíbrio entre o número crescente de famílias e a baixa atividade da construção de novas moradias.

Especialistas prevêem que a tendência ascendente nos valores de locação irá enfraquecer, já que é esperado aumento da renda familiar de 4% a 6%. Isto, por causa da criação de novos empregos devido à revitalização da construção civil. Portanto, agora é a hora de comprar tantas boas propriedades quanto possível, em Berlim.

http://blog.rubinarealestate.com/2012/04/24/rents-for-apartments-in-berlin-have-rosen-stronger-than-anywhere/

quarta-feira, 16 maio, 2012 - 11:45

O Conselho Curador do FGTS aprovou regras mais duras para a contratação de crédito imobiliário com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Pela nova norma, antes de conceder o empréstimo para a compra de imóveis prontos, a Caixa Econômica Federal terá que verificar se a obra contratou trabalhadores com carteira assinada e analisar a qualidade do material usado na obra, mesmo em se tratando de poucas unidades.

As novas regras entram em vigor em 60 dias. Segundo um conselheiro, o objetivo é aumentar a segurança do mutuário. “Hoje, a Caixa contrata sem fiscalizar a qualidade do material, e o consumidor não sabe o que está por baixo do reboco”, disse o conselheiro.

O propósito da medida, defendida por representantes de trabalhadores e de empregadores, é também adequar a modalidade de crédito à finalidade social do FGTS, que é gerar emprego. O Ministério da Fazenda era contra a mudança por temer impactos negativos nas contratações, além de representar mais serviço para a Caixa - principal agente do Fundo -, mas foi vencido na discussão.

O programa Minha Casa, Minha Vida será um dos focos da medida. Além de grandes construtoras, o programa conta com a participação de pessoas físicas, que usam recursos próprios para construir e depois vendem o imóvel. Reportagens mostraram a má qualidade dos materiais empregados nas unidades do programa. (com informações de O Globo)

terça-feira, 15 maio, 2012 - 12:23

O crédito é o mais recente ponto de desentendimento entre o governo e os bancos. O governo acusa as instituições financeiras de terem reduzido a oferta de recursos e estarem cobrando caro pelo dinheiro, o que retarda a expansão da economia. Já os bancos alegam que o aumento da inadimplência recomenda cautela e que os próprios clientes estão retraídos.

A temperatura subiu na semana passada quando, ao analisar o impacto da redução da taxa básica de juros na oferta de crédito, o relatório da Federação das Associações de Bancos (Febraban) citou antigo ditado que diz que "você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água".

A demanda por crédito diminuiu efetivamente depois da vigorosa expansão dos últimos anos. Do outro lado, os bancos reduziram a oferta de recursos, preocupados com o aumento da inadimplência e com a redução da capacidade de endividamento das pessoas.

Em algumas linhas isso é mais evidente, como o financiamento de veículos, que cresceu muito nos últimos anos, chegando a um estoque de R$ 177,4 bilhões em março. Foram maciços os financiamentos em 2009 e 2010, quando o governo reduziu o IPI dos automóveis para estimular a economia. Os bancos chegaram a dispensar a entrada e a oferecer crédito por até 72 meses. A volta ao normal do IPI vários meses depois reduziu a demanda. Quem aproveitou a onda e comprou um carro novo ainda está pagando o carnê.

Muitos não calcularam direito e não estão conseguindo pagar as contas. Cerca da metade do crescimento da inadimplência do mercado de crédito da pessoa física vem das operações de financiamento de veículos. A inadimplência acima de 90 dias no financiamento de veículos está em 5,7%, o maior patamar da série histórica apurada pelo Banco Central (BC). Em março, a inadimplência entre 15 e 90 dias chegou a 8,5%, a mais elevada para um mês de março desde 2009, pico do impacto da crise internacional no país.

O que aconteceu com o financiamento de veículos se repetiu no crédito em geral, que cresceu muito nos últimos anos e dobrou em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) para perto de 50%, atingindo R$ 2,069 trilhões em março. Em 12 meses, o aumento está acumulado em 18%. No último mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou duas vezes a preocupação com o financiamento imobiliário no Brasil.

De fato, essas operações cresceram 40% nos 12 meses encerrados em março, mas o volume equivale a apenas 5,2% do PIB, ou cerca de 10% do estoque total do crédito no país. Os números ainda são pequenos perto do registrado em outros países e mesmo de outros mercados emergentes. Nada indica que o país está perto de uma bolha, como dizem alguns analistas internacionais. Mas é natural que passe a crescer em ritmo menor.

Nos últimos cinco anos, o endividamento médio do brasileiro passou de 25% para 41,3% da renda anual. O comprometimento mensal com prestações está estável em 21,1%, de acordo com o BC, mas chegaria acima de 40%, segundo alguns economistas, se for incluído o crédito parcelado no cartão.

As pessoas da classe C estão gastando mais com telefone, celular, internet, escolas privadas, viagens e serviços em geral, o que reduziu a demanda por crédito e a capacidade de endividamento. A pressão do governo pelo aumento da oferta de crédito deve ser, portanto, conduzida com cautela e acompanhar a reativação da atividade econômica. (com informações de Valor Econômico)

terça-feira, 15 maio, 2012 - 11:44

Os Estados Unidos podem estar cautelosos com a crescente influência da China no tabuleiro da política e da economia global. Mas, por outro lado, o debilitado mercado imobiliário norte americano se beneficia com a ajuda de compradores chineses.

E os endinheirados da China partem para adquirir elegantes apartamentos em Nova York, casas na Califórnia, numa velocidade que impressiona. O fenômeno começou a crescer durante a crise da habitação dos EUA, quando os preços das propriedades atingiram o fundo do poço, tornando-se atraentes para os chineses caçadores de pechinchas.

Esse interesse continua em expansão com a valorização do yuans, moeda da China, de até 8% desde meados de 2010, o que permite aos seus consumidores maior poder aquisitivo.

Dados da Associação Nacional de Corretores de Imóveis dos EUA mostram que, atrás apenas dos canadenses, os compradores chineses são, hoje, o segundo contingente estrangeiro a adquirir casas no país. Responsáveis por 7,4 bilhões de dólares em vendas no ano de 2011. Este número representa um aumento de 24%, em relação a 2010.

Também em 2011, compradores da China e de Hong Kong gastaram 1,71 bilhões de dólares em propriedades comerciais nos EUA, que corresponde a mais de quatro vezes quando comparado com o ano de 2008.

Cerca de 40% dos compradores chineses vêem as propriedades norte-americanas como uma forma de investimento, enquanto 60% as adquirem para os filhos que vão estudar nos EUA, ou para fins comerciais, ou até mesmo com o objetivo de imigração.

Nuo Zhuang, presidente da SouFun International, empresa imobiliária de Pequim, que traz dezenas chineses para os EUA a cada ano para visitar propriedades, diz que espera que os EUA permaneçam como a principal escolha para seus clientes que compram no exterior. Ele afirma que viver nos Estados Unidos é sempre um sonho do povo chinês.

http://www.propertylife.asia/2012/04/chinese-buyers-flock-home-market/

terça-feira, 15 maio, 2012 - 11:01

Os papéis de renda fixa isentos de Imposto de Renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), tornam-se cada vez mais atraentes para os bancos lastrearem seus empréstimos para a compra da casa própria. Como a concessão de financiamento tem aumentado muito acima da captação da poupança, fonte do crédito para o setor, encontrar alternativas mais baratas de funding passou a ser uma tarefa inadiável.

O saldo de LCIs cresceu 52,3% nos últimos 12 meses encerrados em abril, atingindo R$ 53,679 bilhões, segundo dados da Cetip. No período, a captação desses títulos avançou 42,65%, somando R$ 25,268 bilhões.

A Caixa é uma das instituições que têm utilizado esse instrumento para captar recursos para novas concessões de financiamento à habitação, respondendo por 33% do mercado. A carteira de LCIs do banco já soma R$ 20 bilhões, um incremento de 58,2% do estoque nos últimos 12 meses encerrados em março.

“Esses títulos têm sido uma importante fonte de funding, dado o ritmo de crescimento dos financiamentos imobiliários”, afirma Márcio Percival Alves Pinto, vice-presidente de finanças da Caixa. A carteira de crédito imobiliário do banco tinha um saldo de R$ 164,6 bilhões em março, sendo R$ 85 bilhões relacionados a recursos da poupança.

No caso do crédito imobiliário, como a legislação obriga os bancos a aplicarem 65% do que é captado via caderneta de poupança em financiamento habitacional, as instituições acabam emitindo as LCIs quando a carteira de crédito imobiliário é maior que o volume destinado para cumprir essa exigência.

Como a concessão de crédito tem crescido a um ritmo superior ao da captação da poupança, muitas instituições financeiras têm buscado fontes de recursos alternativas para bancar essas operações.

A emissão desses títulos representa uma fonte de funding mais barata que a captação de recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ou de Letras Financeiras para as operações de crédito imobiliário, tipicamente financiado com recursos da poupança. Isso porque como as LCIs contam com isenção de Imposto de Renda para os investidores pessoas físicas, os bancos podem oferecer uma taxa inferior a dos CDBs aos clientes.

O rendimento das LCIs varia entre 85% a 95% do CDI, dependo do prazo e valor da aplicação. Com o benefício fiscal, porém, o retorno acaba sendo superior ao dos CDBs, que contam com a incidência de Imposto de Renda - com alíquota que varia de 22,5% a 15% sobre os rendimentos.

Assim com os CDBs, as LCI também contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). “Além disso, esses títulos são isentos de recolhimento de compulsório e também estão liberados da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)”, destaca o vice-presidente da Caixa.

No Itaú Unibanco, por exemplo, o estoque de LCIs ao fim do primeiro trimestre já alcançava o mesmo volume de Letras Financeiras, somando R$ 16,750 bilhões, crescimento de 67,75% em relação ao mesmo período do ano passado. Boa parte desses títulos é vendida para clientes do private banking do banco, que têm mais de R$ 3 milhões em investimentos, com alocação mínima em torno de R$ 100 mil.

O prazo das LCIs varia de 60 dias a dois anos. Mesmo sendo de curto prazo, o vice-presidente da Caixa não vê um risco de descasamento com o passivo imobiliário, que é de longo prazo, uma vez que a taxa de renovação desses investimentos costuma ser alta.

“Temos visto um alongamento dos prazos desses papéis, com os investidores aumentando a parcela de ativos de menor liquidez na carteira”, reitera Charles Ferraz, responsável pelo aconselhamento aos investidores do private banking do Itaú Unibanco.

Na Caixa o prazo médio das emissões tem ficado entre 15 e 18 meses, e a aplicação mínima é de R$ 50 mil. “Estamos estudando reduzir esse valor para oferecer acesso a esses papéis aos clientes de varejo”, afirma Alves Pinto.

segunda-feira, 14 maio, 2012 - 13:10

Pesquisa realizada recentemente pela Experian and Property Check, com o intuito de sondar a comercialização de imóveis na Inglaterra, descobriu que os compradores de primeira viagem escolhem determinados centros urbanos para adquirir casas.

As cidades mais procuradas estão localizadas próximas de Londres. São elas: Milton Keynes, com 9,5% da preferência. Em seguida vêm Dartford e Swindon, que respondem por 9,3% e 8,9%, respectivamente.

Outras cidades importantes do Reino Unido para novos compradores incluem Aldershot, Hempstead Valley e Basingtoke, correspondendo a 8% das comercializações. A razão para escolher cidades de médio porte é que os preços das propriedades nestes locais são mais acessíveis.

A análise dos resultados do levantamento destaca que a grande maioria das pessoas que adquirem as suas primeiras moradias é integrada por jovens com padrão de renda médio, e que estão na faixa dos 35 anos de idade.

O aumento da concessão de hipotecas para este segmento de consumidores teve um aumento expressivo nos últimos doze meses, com taxa de 8%. O índice é mais que o dobro em relação ao período anterior.

Peter Turner, diretor da Experian and Property Check, comentou que “apesar das dificuldades do setor imobiliário em todo o país, esta movimentação constatada pela nossa pesquisa sugere que o mercado está melhorando para os compradores de primeira viagem”.

http://www.themovechannel.com/news/c519cef8-5c12/

segunda-feira, 14 maio, 2012 - 12:19

A queda nos juros do crédito habitacional aumentou a capacidade de financiamento de um imóvel em 10%. De acordo com cálculo do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o mesmo valor desembolsado nas parcelas para manter um empréstimo antigo de R$ 150 mil vai valer para um de R$ 165 mil com as taxas atuais, por exemplo.

"Essa redução dos juros pode ser utilizada de duas formas: quem não conseguia comprar imóvel pode ter o seu imóvel e, agora, quem tiver condição, pode comprar um imóvel 10% mais caro pagando as mesmas parcelas", afirmou Celso Petrucci, economista-chefe da entidade.

Apesar do cenário positivo, a recomendação dos especialistas é de cautela na hora fechar o negócio. O cliente deve levar em conta que os contatos para o financiamento imobiliário são estabelecidos por longos períodos, podendo chegar a 30 anos.

"Não é para ficar exageradamente ansioso com as novidades do setor. O mais importante ainda é identificar se você quer mesmo o imóvel. É uma decisão que vale por 30 anos", disse Roy Martelanc, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).

As taxas mais baixas ainda preveem que o poder de barganha do consumidor deve aumentar nos próximos meses. "É importante pesquisar em vários bancos antes de fechar o negócio", afirmou Martelanc.

A portabilidade para financiamentos imobiliários também costuma ser burocrática, o que faz com a que a decisão tenha de ser a mais correta possível. De acordo com o Secovi, o governo já estuda algumas mudanças na regra da portabilidade para tornar a operação mais fácil. "No caso da portabilidade, o comprador fica com a posse do imóvel, mas a propriedade ainda é do banco", diz Petrucci.

Na avaliação do educador financeiro Mauro Calil, sempre que o orçamento permitir, deve se optar pela compra da casa própria. "Não dá para medir o estresse de não ter de renegociar o contrato de aluguel", afirmou. "Só não compre por impulso, é ruim porque a pessoa pode se meter numa dívida por 30 anos", diz.

Entre os analistas, não há uma unanimidade se os preços devem cair no futuro. Para o professor Samy Dana, da Fundação Getúlio Vargas, o valor dos imóveis deve recuar. "Eu acho que os preços estão exagerados, acho que a gente passou do limite do razoável", disse. "Acredito que é preciso esperar, os preços estão estáveis, em alguns lugares já estão caindo", diz Samy.

Ele recomenda que, independente da decisão, o consumidor sempre cheque o Custo Efetivo Total (CET) da operação para confirmar se não foi cobrada nenhuma taxa que encareça demais o contrato.

Conforme o economista Eduardo Zylberstajn, a queda dos juros para o financiamento do imóvel deverá ser gradual e lenta. Ele explica que boa parte do estoque que financia a poupança ainda é remunerada pela regra antiga (6,17% ao ano mais a TR). "Fica difícil para o banco emprestar por menos de 9% ao ano ou 10% ao ano", afirmou.

"Seria preciso que todo o estoque de poupança fosse resgatado. Isso vai demorar para acontecer", disse Zylberstajn, que ressalta que os juros para financiamento imobiliário são baixos para os parâmetros do Brasil. (com informações de O Estado de S. Paulo)

segunda-feira, 14 maio, 2012 - 11:52

As construtoras estão vencendo a disputa no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a cobrança de juros em parcelas de imóveis comprados na planta. Os ministros da 2ª Seção retomaram a discussão na semana passada. Por ora, o placar está apertado: há três votos favoráveis ao pagamento e dois contrários. O relator do caso, ministro Sidnei Beneti, entende que os juros exigidos até a entrega das chaves são abusivos e onerosos ao consumidor.

A decisão final ainda depende de quatro votos. Um eventual entendimento favorável às construtoras significaria uma mudança no comportamento do mercado. Segundo advogados, as empresas vêm firmando Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público para suspender as cobranças. “Os contratos firmados a partir de 2007 não têm mais essa cláusula”, diz o advogado Marcelo Tapai, do escritório Tapai Advogados.

A discussão sobre a legalidade dos juros no pé - como são conhecidos no mercado - chegou à 2ª Seção, responsável por pacificar a jurisprudência em questões de direito privado, em dezembro. Há no STJ pelo menos três decisões sobre o assunto - duas favoráveis às construtoras e uma aos consumidores.

Os primeiros dois votos proferidos na 2ª Seção foram favoráveis aos consumidores. A situação mudou com a retomada do julgamento na semana passada. Ao apresentar seu voto-vista, o ministro Antônio Carlos Ferreira entendeu que há previsão para efetuar a cobrança em uma lei da década de 60, editada para estimular a construção civil (Lei nº 4.864). Considerou ainda que o comprador pode alienar ou vender o imóvel durante a construção. Ele foi acompanhado pelos ministros Raul Araújo e Massami Uyeda. O julgamento foi interrompido por um pedido de vistas do ministro Paulo de Tarso Sanseverino.

De acordo com o advogado Marcelo Tapai, o posicionamento do STJ poderá finalizar também a discussão que trata somente sobre a cobrança dos juros no período entre a obtenção do habite-se - documento de conclusão do empreendimento emitido pela prefeitura - e a entrega das chaves. “Tem proprietário que chega a esperar seis meses para entrar no imóvel. A cobrança é ilegal”, diz.

No caso em análise, a construtora Queiroz Galvão questiona, a partir de embargos de divergência, decisão da 4ª Turma que considerou a cobrança de juros descabida. A tese que preponderou foi de que, entre a assinatura do contrato de promessa de compra e venda e a entrega das chaves, não há empréstimo ou financiamento da construtora ao consumidor. “Nesse período, não há capital da incorporadora mutuado ao promitente comprador, tampouco utilização do imóvel prometido”, afirma a decisão, de relatoria do ministro Luis Felipe Salomão.

Em um contrato assinado em 2006, a Queiroz Galvão cobrava de uma consumidora juros de 1% ao mês sobre as parcelas de um imóvel comprado por R$ 300 mil em Recife. Em todas as instâncias, a Justiça determinou a revisão do contrato e a devolução em dobro dos valores pagos. De acordo com o advogado da compradora, Thélio Queiroz Farias, do escritório Leidson Farias Advocacia, o valor da restituição seria de aproximadamente R$ 80 mil.

O advogado sustenta que o aumento de gastos com a obra já é compensado com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Além disso, uma portaria de 2001 da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça vedou a cobrança. Ele afirma ainda que a Lei nº 4.864, de 1965, teria sido revogada com o Código de Direito do Consumidor, que veda exigir do cliente vantagem manifestamente excessiva. As incorporadoras só poderiam cobrar juros depois da entrega das chaves. “Isso não questionamos”, diz.

A gerente jurídica do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Maria Elisa Novais, concorda. “É o consumidor que financia a construtora durante a construção. Por que ele tem que pagar juros?”.

Além da previsão em lei, o advogado da Queiroz Galvão, André Silveira, do escritório Sergio Bermudes, defende que a cobrança de juros, explicitados em contrato, gera maior concorrência no mercado e benefícios para quem compra à vista. (com informações de Valor Econômico)

domingo, 13 maio, 2012 - 12:18

O governo projeta um forte crescimento no financiamento da casa própria para o médio prazo. Com as alterações nas regras da poupança, a tendência é que os juros para compra de imóveis sejam reduzidos. Assim, haverá mais interessados em contratar o crédito. "Ainda não assistimos a um crescimento nesse segmento, e há muito espaço para isso", comenta um economista do governo.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, acha que a queda dos juros para o segmento virá, mas levará tempo. Só quando os estoques da poupança "nova" ficarem próximos à "velha", que é de R$ 435 bilhões, é que o setor terá acesso a recursos mais baratos.

Um item fundamental para acelerar o corte nos juros, segundo Simão, é a portabilidade, ou seja, a possibilidade de um mutuário trocar um empréstimo caro por um mais barato. O governo estuda formas de facilitar a migração de empréstimos habitacionais, operação que hoje é muito burocrática e cara. (com informações de O Estado de S. Paulo)

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